O Recife Monitora é um programa de avaliação e melhoria da qualidade na atenção básica, parte estruturante do Qualifica Atenção Básica da Secretaria de Saúde do Recife. Integra dados de diversas fontes para facilitar a gestão informada por evidências ao nível de cada equipe de saúde da família.
Neste documento, a Coordenação da USF vai encontrar informações sobre:
- Como aplicar os blocos A, B e C do Recife Monitora;
- Como analisar os resultados de cada equipe de saúde da família;
- Como construir planejamentos quadrimestrais para melhoria da qualidade.
O Recife Monitora transforma o processo de planejamento das equipes em uma rotina da rede. Um planejamento eficiente requer granularidade de dados: os dados precisam indicar exatamente em quais pontos a gestão e as equipes precisam investir.
| Eixo | Descrição | Pontuação máxima |
|---|---|---|
| Eixo 1 | Avaliação da qualidade por equipes (Blocos A, B e C) | Até 200 pts (A: 40 · B: 80 · C: 80) |
| Eixo 2 | Avaliação da satisfação dos usuários | Até 200 pts |
| Eixo 3 | Avaliação do desempenho das equipes | Até 600 pts |
Zonas de Classificação
Equipes abaixo da Zona de Aperfeiçoamento não recebem o certificado. O Recife Monitora também é um exercício de autoavaliação e transparência por parte da gestão da atenção básica.
Para o Gestor(a) de USF e equipes, a principal ação é participar do ciclo avaliativo respondendo ao Eixo 1. Os Eixos 2 e 3 são alimentados automaticamente pela plataforma com dados dos sistemas de informação da Prefeitura e do Ministério da Saúde.
Antes de tudo, cada profissional deve fazer login na plataforma e validar seus dados. Em caso de dificuldade, orientar o profissional a acessar o vídeo tutorial disponível na plataforma do Recife Monitora.
O Bloco A é o mais subjetivo do processo. Deve ser respondido na privacidade e de modo anônimo por cada trabalhador. Avalia 6 dimensões do cotidiano de trabalho:
| Aspecto | O que mede |
|---|---|
| Ambiente de trabalho acolhedor | Como o profissional se sente em relação aos pares e outros profissionais da unidade |
| Experiência interna de trabalho | Como o profissional se sente em relação a si mesmo, sua aptidão e motivação |
| Autonomia do trabalhador/equipe | Capacidade de autogestão quanto ao ritmo, forma e conteúdo do trabalho |
| Experiência de tempo | Tempo necessário para dar conta da jornada e da população atendida |
| Liderança | Quanto a chefia imediata fomenta ambiente cooperativo e motivador |
| Processo de mudança | Conforto com mudanças no processo de trabalho e rotatividade de profissionais |
Processo de resposta coletivo: apenas 1 pessoa faz login e registra as respostas da equipe. Respostas variam entre Discordo Totalmente / Discordo Parcialmente / Concordo Parcialmente / Concordo Totalmente. A equipe deve ser reunida em círculo ou semicírculo para garantir escuta ativa.
| Atributo | Tipo | O que avalia |
|---|---|---|
| Acesso | Essencial | Tecnologias leves (comunicação, acolhimento, vínculo) e processos organizacionais para acesso equitativo |
| Coordenação do Cuidado | Essencial | Registros adequados, referenciamento correto e seguimento de linhas de cuidado |
| Longitudinalidade | Essencial | Vínculo equipe-usuário-território; singularização e humanização do atendimento |
| Integralidade | Essencial | Olhar ampliado sobre cada indivíduo; resolutividade e multiprofissionalidade na AB |
| Orientação Comunitária | Derivado | Uso de ferramentas de cuidado comunitário, grupos de promoção/prevenção |
| Orientação Familiar | Derivado | Adesão à lógica de saúde da família; abordagem familiar |
| Competência Cultural | Derivado | Letramento em saúde para a população; corresponsabilização dos usuários |
Respostas variam entre Sim / Não / Não se aplica ou texto. Apenas 1 pessoa faz login e registra as respostas da(s) equipe(s).
O Bloco C deve ser respondido logo após o Bloco B — C1 e C2 podem ser realizados conjuntamente.
C1: cada equipe responde após o Bloco B. C2: todas as equipes reunidas respondem juntas sobre a estrutura da unidade.
| Aspecto | Momento | O que avalia |
|---|---|---|
| Delineamento da população eletiva | C1 | Capacidade de dar conta da população adscrita; suficiência de ACS por microárea |
| Recursos Humanos | C1 e C2 | Completude da equipe (médico, enfermeiro, técnico, ACS, eSB, eMulti) e apoio de residentes |
| Mecanismos de acesso ao atendimento | C2 | Aspectos prediais, zeladoria, funcionamento da unidade, horário de almoço, vulnerabilidade do território |
| Ferramentas de planejamento | C2 | Adesão ao PEC/e-SUS AB; uso do módulo CDS na indisponibilidade do PEC |
| Componentes estruturais | C2 | Internet, medicamentos, vacinas, equipamentos, instalações da unidade |
A análise é feita eixo a eixo, identificando os Nós Críticos — aspectos com escores mais baixos. A sugestão é reunir a equipe em 3 sessões de trabalho (uma por eixo) para desenhar ações de melhoria.
A pontuação é calculada pela média das respostas individuais. Cada aspecto mostra pontos recebidos / teto de pontos.
- Ambiente acolhedor distante do teto → discordância com clima de trabalho ou relação com pares
- Experiência de tempo distante do teto → sobrecarga; dificuldade de dar conta da demanda na jornada
- Processo de mudança distante do teto → resistência ou insegurança com mudanças no processo de trabalho
Sem servidores engajados e sentindo bem-estar em relação ao trabalho, não há como cuidar bem do território.
A pontuação é calculada pelas respostas coletivas da equipe. Mostra pontos recebidos / teto por atributo.
- Acesso abaixo do teto → revisar modelos de agendamento, acolhimento e protocolos para demanda espontânea
- Coordenação do Cuidado abaixo do teto → qualificar registros no PEC/e-SUS e uso de linhas de cuidado
- Integralidade abaixo do teto → ampliar multiprofissionalidade e resolutividade dentro da AB
A pontuação é calculada pelas respostas coletivas da(s) equipe(s) sobre a estrutura da unidade.
- Delineamento da população abaixo do teto → excesso de população adscrita ou falta de ACS nas microáreas
- Recursos Humanos abaixo do teto → equipe incompleta no quadrimestre; sinalizar para gestão distrital
- Componentes estruturais abaixo do teto → falta de insumos, equipamentos ou infraestrutura; encaminhar para gestão
A pontuação é calculada pela fórmula adaptada do NPS Score. Para cada uma das 6 perguntas, observar o percentual de promotores, passivos e detratores:
| Perfil | Notas | O que indica |
|---|---|---|
| Promotores | 7 a 10 | Usuários satisfeitos que incentivam a comunidade |
| Passivos | 5 e 6 | Neutros; satisfação momentânea, opinião pode mudar |
| Detratores | 1 a 4 | Insatisfeitos; criticam abertamente o serviço |
Instigar usuários que têm boa interação com a equipe a avaliar. Realizar dinâmica (jogo de perfis de usuários) em reunião de equipe para definir protocolos comunicativos para lidar com "usuários difíceis".
A coluna chave para análise é o "% de Alcance da Meta". O alcance de 100% equivale à pontuação máxima proporcional de cada indicador.
Citopatológico: se a equipe tem 682 mulheres elegíveis e a meta é 40%, precisa realizar 273 exames. Ao realizar apenas 15, o alcance é 5%. Isso sinaliza necessidade de busca ativa e reorganização de processos.
Para indicadores já com 100% de alcance, observar a diferença entre Numerador e Denominador para calcular o esforço necessário para superar a meta e atingir toda a população elegível.
- Identificar os Nós Críticos a partir da análise de cada eixo e bloco avaliativo do Recife Monitora
- Dar o retorno estruturado (feedback) à equipe em 3 encontros (um por eixo), desenhando ações de melhoria conjuntamente
- Sistematizar as ações em planilha disponível na plataforma e reservar espaço de monitoramento nas reuniões semanais de equipe
- Usar o ciclo seguinte como reflexão sobre o plano de ação: quais ações foram realizadas, quais estão em progresso, quais surtiram efeito no escore
Modelo de Plano de Ação
| Sessão | Nós Críticos | Ações – Equipe | Ações – Gestão |
|---|---|---|---|
| Eixo 1 | Bloco A – Ambiente acolhedor, Experiência de tempo, Processo de Mudança | Instituir rotinas de autocuidado e integração nas reuniões; processos de planejamento para gestão do conhecimento | Facilitar acesso a psicoterapia (Cuidando de quem cuida); formações sobre grupo Balint na AB |
| Bloco B – Acesso | Testar novos modelos de agendamento; usar Guia Prático de Acolhimento | — | |
| Bloco C – Delineamento, RH, Mecanismos de acesso, Componentes estruturais | — | Pactuar principais problemas estruturais e encaminhar para gestão distrital | |
| Eixo 2 | Acesso, Integralidade, Longitudinalidade, Atributos Derivados, Satisfação Global | Instigar promotores a avaliar; dinâmica de perfis de usuários em reunião de equipe | — |
| Eixo 3 | Indicadores com baixo alcance de meta | Busca ativa dos denominadores não acompanhados; estabelecer percentual realista por indicador | Garantir insumos necessários para exames e procedimentos |
Seguindo esse ciclo, é possível fazer uma gestão informada por evidências na atenção básica, cumprindo os preceitos de universalidade, integralidade e equidade do SUS.